quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A IMPORTÂNCIA DO PSICÓLOGO NA EQUIPE INTERDISCIPLINAR DO HOSPITAL


Por: Luciana Alves Zimmerer

Atualmente muito têm se discutido sobre a questão da introdução das ciências humanas no campo da saúde, onde o saber médico passa a ser permeado por outras áreas do conhecimento humano. O aparecimento da necessidade de prestar mais atenção na relação entre a equipe de saúde, as novas formas do adoecer humano, e o paciente surgem como importantes para o processo de ampliação da prática interdisciplinar no hospital.


O trabalho interdisciplinar:
Na equipe interdisciplinar busca-se a superação das fronteiras disciplinares, tornando-se essencial a troca de conhecimento entre vários saberes, onde pode ser observado uma troca profunda entre as disciplinas, os instrumentos, métodos e esquemas conceituais podem vir a ser integrados. O reconhecimento dessa necessidade é crescente e inegável.

Nunes, (1995) citado no artigo de Interdisciplinaridade no Contexto Hospitalar publicado no CienteFico, anoIV, V.1, em 2004,

“ afirma que esta não permite a fragmentação em saúde física, mental e social, devendo partir-se de uma visão holística que supõe compreende-la na interface de uma grande diversidade ao resgatar as origens gregas da palavra saúde como inteiro, intacto, integralidade de disciplinas, o que se torna ainda mais complexo quando se passa para a esfera da saúde coletiva”.

A psicologia no contexto hospitalar vem se afirmando como uma nova especialidade dessa prática, que desde sua primeira instalação oficial no Brasil no ano de 1954 no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina na Universidade de São Paulo vem ampliando sua presença nos hospitais.

De acordo com o artigo Interdisciplinaridade no Contexto hospitalar publicado no CienteFico, ano IV, V.1, em 2004

“ a medida em que o padrão de doença foi mudando ( os principais problemas de saúde não são mais relacionados as doenças infecciosas, e sim as doenças crônicas), a contribuição exclusiva do modelo biomédico passa a ser questionado sendo necessário o surgimento de um novo modelo que considere os aspectos psicológicos e sociais ( que estão relacionados as doenças crônicas) e aponte para a relação destes aspectos com a saúde e a doença, tratando-se então do modelo biopsicossocial ( Gimenes, 2000 citado em Ribeiro C., Araújo D.,Mesquita E., Machado F., Carneiro J., Cal L. ).


O trabalho da equipe interdisciplinar:
A troca de conhecimentos torna-se essencial e corresponde a uma reunião de disciplinas articuladas e distintas ao redor de uma mesma temática. Este trabalho realizado em conjunto pela equipe diz respeito ao trabalho em equipe interdisciplinar

“ que é descrito como um grupo de profissionais de diversas formações, os quais atuam de forma interdependente, interrelacionando-se num mesmo ambiente de trabalho, por intermédio de comunicações formais e informais” ( Angerami-Camon, 2000 citado em Ribeiro C., Araújo D.,Mesquita E., Machado F., Carneiro J., Cal L., 2004 ).

Concordamos com Cecília Minayo (1991) ao dizer que nenhuma disciplina, por si só dá conta do objeto a que perseguimos, porque ele envolve, ao mesmo tempo e concomitantemente, as relações sociais e o social propriamente dito, as expressões emocionais e afetivas, assim como o biológico, que, em última instância traduz, através da saúde e da doença as condições e razões sócio- históricas e culturais dos indivíduos e dos grupos.

Competição X Possibilidade de diálogo
È possível observar em alguns momentos no ambiente hospitalar a idéia de trabalho em equipe passa a ser substituída por competição entre as especialidades, o que acabar por gerar grandes conflitos. Porém, o trabalho de equipe interdisciplinar busca criar possibilidades de diálogo entre disciplinas vizinhas, que em muitos momentos, possuem temáticas comuns, “significa o questionamento de hegemonia do saber médico no sentido de promover a substituição da hierarquia estabelecida pela interlocução entre os diversos saberes”( Ribeiro C., Araújo D.,Mesquita E., Machado F., Carneiro J., Cal L., 2004 ).


O Psicólogo como membro dessa equipe:
No que se refere a prática do psicólogo no contexto hospitalar esta pode ser compreendida como um membro favorecedor, pois descrevendo os fenômenos perceptíveis e importantes da área. O seu papel acaba sendo determinado pelos limites de tal instituição. Entretanto, dentre limites, regras e rotinas sua conduta deve ser pensada dentro das possibilidades e demandas desse contexto. Podendo, desta forma, redefinir sempre sua prática e afirma-lá e fixa-lá como parte do processo de cuidado no hospital.

Sendo assim, o psicólogo como membro da equipe interdisciplinar no contexto do hospital tem sua importância no sentido de dar atenção aos aspectos psicológicos da doença orgânica bem como o apoio prestado ao paciente, a família e a equipe de saúde.



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